Dia do Meio Ambiente: impactos da crise climática pautam audiência pública

Ambientalistas e ativistas se reuniram nesta segunda-feira (8) para discutir os principais problemas ambientais no estado e a construção de políticas públicas para conter os impactos
09/06/2026 18:59 | Mudanças climáticas | Louisa Harryman - Fotos: Patricia Domingos

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Audiência pública Dia do Meio Ambiente<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-06-2026/fg365779.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a> Deputado Carlos Giannazi<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-06-2026/fg365750.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a> Helena Dutra Lutgens<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-06-2026/fg365749.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a> Carlos Bacuhy<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-06-2026/fg365752.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a> Críticas à privatização de parques<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-06-2026/fg365751.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a>

O "Dia do Meio Ambiente" foi pauta de uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo nesta segunda-feira (8). O evento reuniu ambientalistas, ativistas e coletivos para discutir sobre as mudanças climáticas no estado e a construção de políticas públicas para conter os impactos.

A data é celebrada todo 5 de julho e foi criada pela ONU em 1972, na Conferência de Estocolmo, para conscientizar e estimular o debate crítico sobre a preservação ambiental. No entanto, para o deputado Carlos Giannazi (Psol), proponente do encontro, "não temos quase nada para comemorar no Brasil, que é constantemente atacado por falta de políticas públicas em defesa real do meio ambiente".

O presidente do Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental, Carlos Bocuhy, destacou que mais de meio século após a instituição da data, o mundo possui muito mais informação e tecnologia para compreender as mudanças climáticas. "Ao mesmo tempo, nós nunca tivemos um desmantelamento tão rápido, no estado de São Paulo, dos instrumentos públicos responsáveis por transformar esse conhecimento em proteção para a sociedade", completou.

Principais problemas

Especialistas discutiram os principais pontos de vulnerabilidade ambiental em São Paulo, como a mineração nas regiões metropolitanas, poluição atmosférica e impacto dos aterros sanitários nos mananciais.

O desmatamento de áreas florestais para criação de rodovias foi um dos principais desafios discutidos. Neste tópico, foi feita uma análise crítica sobre o projeto Nova Raposo, que prevê a ampliação da rodovia e a instalação de novos pedágios free flow no trecho que interliga cidades da Grande São Paulo. O impactos das obras já foram pauta na Alesp.

Segundo a ambientalista e vice-presidente da entidade Preservar Ambiental, Adriana Abelhão, o projeto destrói corredores verdes, moradias, equipamentos públicos e trechos preservados da Mata Atlântica. "É um absurdo completo, só beneficia as empresas construtoras e concessionárias de serviços de rodovias e pedágios, e não resolve em nada o trânsito na cidade", disse.

Giannazi ainda destacou a privatização de serviços estaduais como um dos principais problemas para crise ambiental e científica no Estado. O parlamentar usou como exemplos a concessão de parques públicos para iniciativa privada, negociações para vender fazendas públicas de pesquisa e a privatização da Sabesp em 2023.

Investimentos na ciência

Para Helena Dutra Lutgens, presidente da Associação dos Pesquisadores Científicos (APqC), é dever do governo estadual investir em uma estrutura capaz de garantir à população paulista segurança alimentar, meio ambiente saudável e saúde pública acessível.

Ela destacou que São Paulo teve uma grande evolução científica no final do século XIX e início do século XX com a criação de instituições públicas de pesquisa, mas que hoje o Estado enfrenta uma situação de sucateamento destes aparelhos. Um dos exemplos citados foi a extinção do Instituto Florestal, entidade pioneira nas ações de conservação da natureza.

Além de regenerar a estrutura desmontada, Lutgens ressaltou que é preciso reconduzir as políticas no sentido de recuperarmos ambientes que foram alterados e degradados. "Obviamente que a recuperação jamais trará o ambiente inicial, mas há necessidade de fazer esse trabalho de uma forma licita, conduzida pela ciência e não por interesses econômicos ou políticos", afirmou.

Assista à audiência na íntegra, em transmissão da TV Alesp:

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