POVO PEDE PENA DE MORTE - OPINIÃO

Afanasio Jazadji*
01/02/2002 13:14

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A pena de morte, que existe em vários países, deve ser introduzida no Brasil, segundo a maioria do povo. Uma pesquisa de opinião pública sobre o grau de aprovação dessa medida foi divulgada recentemente e teve resultado histórico.

O levantamento, feito pelo Instituto Sensus, por iniciativa da Confederação Nacional dos Transportes, lançou a pergunta: a pena de morte é a forma ideal de punição para bandidos que cometem crimes hediondos no Brasil? Acontece que, pela primeira vez nos últimos anos, esse tipo de pesquisa revelou que a maioria da população do País já é a favorável a ela. Pesquisadores estiveram em 195 cidades de quase todos os Estados, ouvindo 2 mil pessoas, de 14 a 21 de fevereiro, e o número de pessoas a favor da pena capital chegou a 54,1%. O índice dos que insistem em ser contra esse tipo de castigo é agora de 41,6%, bem abaixo,portanto, dos que se manifestam a favor. Convém ressaltar que, cinco meses antes, em setembro do ano passado, o percentual de opiniões contrárias à medida ainda era maior: 48,2% contra 44,9%.

Os últimos casos chocantes de violência e criminalidade em quase todas as regiões do Brasil, principalmente no Estado de São Paulo, mexeram com o país. Os cidadãos ficaram saturados da impunidade e da falta de autoridade. Eles exigem atitudes mais drásticas. Os meios de comunicação contribuem para isso, uma vez que jornais, revistas, rádios e TVs focalizam diariamente episódios de violência ocorridos até mesmo em cidades anteriormente tranqüilas. A população tornou-se refém dos bandidos.

/N+/Crimes chocantes/N-/

Fico aliviado e encorajado pelo fato de a pesquisa mostrar que a maioria pensa assim. Como deputado estadual especialista em questões de segurança pública, tenho sido um fiel defensor da instituição da pena de morte no Brasil. Por isso, cheguei a sofrer críticas. Agora, porém, vejo que a maioria dá razão a minha tese: a tese de quem quer acabar com a violência criminal. Pelo que se pode perceber, aquele pessoal protetor dos direitos humanos dos bandidos passa a falar sozinho. Certamente, quando alguém fizer nova campanha para libertar seqüestradores, como aconteceu no caso da quadrilha que manteve o empresário Abílio Diniz em cativeiro, o apoio será nulo.

O Estado de São Paulo, que já apresentava crescimento dos índices de violência e criminalidade, vive uma época de seguidos crimes chocantes. Além do assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel, por seqüestradores, e da morte da dona de casa Rosana Melotti, em Campinas, houve uma seqüência de outros seqüestros, como o do publicitário Washington Olivetto, a fuga de dois bandidos num helicóptero no presídio de segurança máxima de Guarulhos e motins em cadeias. Qual a solução?

Tenho insistido que a autoridade precisa ser exercida com firmeza. O castigo tem de ser imposto de forma exemplar. Cadeia tem de ser cadeia de verdade, de segurança máxima, para evitar fugas e privilégios como os verificados em São Paulo. Para determinados crimes, por que não a pena de morte, como ocorre nos Estados Unidos? Há quem levante a tese de que o homem não deve tirar a vida de outro homem. Mas o que fazer com bandidos que já impuseram a pena de morte para pessoas de bem?

*Afanasio Jazadji é deputado estadual e vice-líder do PFL, advogado e jornalista.

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