Bandeira de São Paulo foi adotada graças à Revolução Constitucionalista de 1932

Criada em 1888 para representar o Brasil, foi apenas nas trincheiras de 1932 que a bandeira idealizada pelo jornalista Júlio Ribeiro ganhou apelo popular e foi posteriormente oficializada
08/07/2026 18:50 | Lealdade, liberdade e democracia | Fernanda Franco - Fotos: Alesp e Wikimedia Commons

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Bandeira de São Paulo <a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-07-2026/fg366859.png' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a> Manifestantes na Rua XV de Novembro em 1932<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-07-2026/fg366879.png' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a> Revolução Constitucionalista de 1932 <a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-07-2026/fg366880.png' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a>

Falar da bandeira de São Paulo é falar também de uma parte importante da história do Brasil. Embora tenha sido criada em 1888, um ano antes da proclamação da República, foi apenas nos campos de batalha da Revolução Constitucionalista de 1932 que a bandeira de São Paulo ganhou o coração dos paulistas e se consolidou como um dos principais símbolos do estado.

Nos últimos anos do Império no Brasil, diversos propagandistas republicanos apresentaram projetos para uma bandeira nacional. Para muitos deles, era preciso substituir todos os símbolos que remetiam a instituições monárquicas por emblemas que representassem os ideais da República.

Foi nesse contexto que o escritor e jornalista mineiro Júlio Ribeiro, fundador do jornal "O Rebate" publicou, em sua primeira edição de 16 de julho de 1888, uma série de críticas ao império e sua própria proposta para o futuro pavilhão republicano. Ribeiro criou uma bandeira que simbolizasse a união nacional, representada pelo mapa do Brasil estampado no cantão vermelho.

A bandeira idealizada por Júlio Ribeiro chegou a ser hasteada no Palácio do Governo paulista em 15 de novembro de 1889, nos primeiros dias da República. Entretanto, em 19 de novembro daquele mesmo ano, o governo federal adotou oficialmente uma bandeira nacional concebida por Raimundo Teixeira Mendes, cujo desenho permanece semelhante ao utilizado atualmente.

Nos anos seguintes, a proposta de Júlio Ribeiro passou a ser identificada como a bandeira paulista, embora ainda não despertasse grande sentimento popular. Sua utilização era mais frequente em fachadas e elementos decorativos do que em manifestações cívicas ou eventos oficiais, já que os paulistas reservavam esse tipo de homenagem principalmente à bandeira nacional.

A situação mudou com a Revolução Constitucionalista de 1932. O movimento transformou a bandeira em um poderoso símbolo de identidade regional e de defesa dos ideais constitucionais, chegando a ser posteriormente oficializada.

Divisor de significados

No projeto original de Júlio Ribeiro, as cores preta, branca e vermelha representavam as três raças formadoras da nação brasileira: negros, brancos e indígenas.

Após a Revolução Constitucionalista de 1932, contudo, a interpretação dos elementos foi ressignificada. O preto e branco passaram a simbolizar a noite e o dia, enquanto o vermelho passou a representar o sangue derramado pelos paulistas na luta por uma nova Constituição.

Já o azul presente no mapa do Brasil passou a ser associado à lealdade, expressando o ideal de que São Paulo lutava não apenas por si, mas também por um país mais livre, democrático e justo. Tanto que no brasão do Estado de São Paulo, instituto pelo Decreto n° 5.656, de 29 de agosto de 1932, está inscrito em latim "PRO BRASÍLIA FLANT EXIMIA", que significa "Pelo Brasil façam-se grandes coisas".

As quatro estrelas que cercam o mapa brasileiro também tiveram seu significado reinterpretado. Inicialmente, faziam referência à constelação do Cruzeiro do Sul, após a revolução, passaram a representar os quatro pontos cardeais.

A oficialização da bandeira como símbolo paulista ocorreu em 27 de novembro de 1946, por meio do Decreto-Lei Estadual nº 16.349, o qual foi amparado pela Constituição Federal de 1946, que devolveu aos estados o direito de adotar símbolos próprios após Getúlio Vargas tê-los proibido durante o regime de Estado Novo. A medida foi posteriormente consolidada pela Lei nº 145, de 3 de setembro de 1948.

Design

A bandeira de São Paulo é composta por treze listras horizontais alternadas nas cores preta e branca, além de um cantão vermelho no canto superior esquerdo. Sobre ele aparece o mapa do Brasil em azul, cercado por quatro estrelas amarelas. A razão de ser 13 listras ainda é desconhecida.

Inspirada em ideais republicanos do século 19, especialmente na estética da bandeira dos Estados Unidos, a criação de Júlio Ribeiro atravessou diferentes momentos da história brasileira.

Mais do que um símbolo de São Paulo, tornou-se um emblema associado à lealdade ao Brasil, à liberdade e à defesa da democracia, valores que ganharam força no imaginário paulista a partir da Revolução Constitucionalista de 1932.

alesp