Opinião: Valorização e reconhecimento do trabalho doméstico


06/02/2013 18:53 | Orlando Morando*

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Atualmente o Brasil vive um momento de grande valorização da mão de obra. Profissionais como domésticas, pedreiros, jardineiros, garçons e babás, entre outros, tiveram uma grande alta em seus salários, reflexo da demanda e do crescimento econômico. Os chamados trabalhadores do serviço doméstico tiveram aumento no salário de quase 10% em um ano, segundo o IBGE, muito acima dos profissionais da indústria, professores e mais que o dobro da média de outras categorias.

Hoje em dia uma empregada doméstica não precisa se submeter às condições de horários impostas por suas patroas, elas fazem seus próprios horários e escolhem para quem irão trabalhar.

Com a economia aquecida, o desequilíbrio entre demanda e oferta de profissionais nesse ramo do mercado de trabalho, que ainda emprega 17 em cada cem mulheres brasileiras, atrapalha a vida de muitas patroas, mas tem propiciado a melhoria das condições de vida daquelas pessoas que atuam no setor, historicamente marcado pela informalidade e baixos salários.

No passado a empregada doméstica recebia menos do que um salário mínimo, não tinha direito a uma folga por semana nem 13º salário e muito menos aviso prévio. Hoje em dia esse panorama mudou e os diretos das domésticas aumentaram: salário mínimo, repouso semanal, férias, licença maternidade, aposentadoria, entre outras. O salário varia conforme o local em que a empregada doméstica trabalha, mas na região metropolitana pode chegar, aproximadamente, até R$2 mil.

Fonte de sustento de milhões de brasileiras, o trabalho nas "casas de família" nem sempre é valorizado, tanto pelas patroas, quanto até por quem o exerce. Mas a verdade é que as domésticas do Brasil têm, sim, é que bater no peito e assumir com orgulho a sua condição. Trabalhar na casa de alguém, cuidar das crianças de outra família e preparar as refeições no capricho são algumas das atividades de grande responsabilidade e confiança exercidas por estas guerreiras.

Apesar dos ganhos reais, as domésticas ainda precisam superar as discriminações na hora da contratação e também carecem de plena conquista de direitos trabalhistas. Se você emprega uma doméstica em sua casa, valorize-a bem e cumpra seu dever como patrão.

Cada profissão deve ter seus direitos e deveres cumpridos pela lei e as domésticas possuem uma profissão cada vez mais escassa e importante no mercado de trabalho nacional.



*Orlando Morando, 38, deputado estadual PSDB